Bem, tem muita coisa pra escrever sobre isso e tenho certeza que praticamente ninguém lê post grande. Então, além de postar tudo de uma vez, vou postar esse mesmo texto aos poucos, e vai ficar meio sem ligação, mas não tou nem aí.
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A discussão sobre livros didáticos já teve dois períodos na mídia por enquanto: primeiro, com o Ali Kamel, um direitólatra desajustado que acha que não há preconceito racial no Brasil. Agora, com a revista Época, falando mais e mais besteiras que não levam a nada, só o que qualquer mediano que acabou o ensino médio privado vai acreditar (não é do costume da Época fazer isso, diga-se de passagem).
Pelo jeito, o grande problema dos livros didáticos do nosso país é outro: as pessoas que os fazem e as pessoas que os avaliam acham que eles nos ensinam alguma coisa, ou que uma frase com propaganda ideológica a cada 50 páginas vai fazer uma diferença monumental na ideologia política dos alunos do Brasil. Olha, eu sou aluno, convivo com alunos, e, sinceramente, numa lista enorme de coisas (muitas das quais fúteis) que influenciam na nossa ideologia política, os livros didáticos que usamos nem entram nelas.
Os livros não influenciam por dois fatores:
1) Ler uma frase enquanto estudamos pra uma prova (ou vocês ainda acham que 99% dos alunos que lêem o fazem para serem cidadãos melhores? E não, isso não é culpa do vestibular) não muda ninguém. Quando estamos estudando, nós vamos em cima das informações importantes para se dar bem na prova - e nenhum professor, por mais marxista que seja, tem a coragem de colocar numa prova "discuta sobre a superioridade do socialismo em relação ao capitalismo";
2)Aí em cima eu escrevi 99% DOS ALUNOS QUE LÊEM. Sendo que estes são, exagerando pra cima, 5% dos alunos. Vocês podem até achar que não estou sendo sério ou que estou exagerando, mas acreditem: eu vivo no ambiente escolar, ao contrário de vocês. Além disso, as horríveis colocações do Brasil em avaliações de ensino internacionais só confirmam o que eu digo.
Já a propagação ideológica CONSTANTE feita por professores de história e geografia ao longo de onze anos faz diferença sim.
São onze anos de "catequização anti-capitalista" sobre nós. E são onze no meu caso, porque hoje em dia não duvido nada que os professores de alfabetização usem frases como "o capitalismo gera desigualdade" para alfabetizar seus alunos.
A imensa maioria (e não, isso não é pleonasmo - 51% é beeeeeem diferente de 98%) dos professores que tive dessas duas disciplinas me ensinaram que o capitalismo gera desigualdade, é o responsável pela miséria existente no planeta e, que se o socialismo fosse implantado, viveríamos num mundo onde todos teriam educação, alimentação e moradia. Mais uma vez, preciso lembrar que não estou aumentando a situação de nenhum modo - eles me ensinaram exatamente isso.
Até a oitava série (hoje em dia nona), NENHUM professor falou em ditadura, em pobreza acentuada nos países socialistas, em massacres ''em nome da revolução''. NENHUM falou que o capitalismo pode ser uma alternativa, que o socialismo fracassou em diversos lugares, e TODOS falaram que o capitalismo é alimentado por burgueses ferozes que querem, acima de tudo, ficar mais ricos a todo custo e, para isso, teriam que deixar os pobres mais pobres. NENHUM jamais falou que existe a idéia (vigente há muito tempo) de que "é possível criar valor - quando um país prospera, sua economia cresce, o que pode gerar riquea para todos os estratos sociais."(trecho retirado de Época)
Eu cresci marcado por isso. Até o primeiro ano do ensino médio, eu era da esquerda (hoje não sou de lado nenhum) - afinal, ser da direita me transformaria num burguês que traz injustiça social. Mais uma vez, repito: eu não estou exagerando. Pensar na direita me lembrava uma coisa errada, enquanto pensar na esquerda me lembrava líderes que lutavam para o bem de todos.
Em casa, meus pais não me ensinavam a ideologia deles: cada um votava, na maioria dos casos, em partidos diferentes. O resto da minha família também não propagava nada sobre política, tentando me influenciar: sempre havia discussões sobre isso, quem estava trabalhando melhor no governo, essas coisas. Tive uma educação política, mas não fui adestrado ideologicamente pela minha família.
Além disso, como uma criança normal, não ficava conversando sobre política com meus amigos. A única força que jogou essas idéias em minha cabeça foi a dos professores: eles são os responsáveis por essa briga que está havendo por aí e, erroneamente, todo mundo está jogando a culpa em livros, que nem lidos são.
Por favor, redirecionem o foco da discussão para os professores. Eles estão confundindo liberdade de expressão e opinião com doutrinação ideológica e, assim, criando um monte de adultos que não acreditam em mérito e que acham que tudo de ruim que acontece não pode ser evitado, pois o capitalismo é uma força maligna que já dominou tudo com suas garras que só trazem injustiça social. São adultos que só deixam de ser empreendedores e inovadores porque acham que, enquanto houver capitalismo, justiça não poderá ser feita e eles serão sempre coitadinhos.
ps.: para os esquerdopatas que acabam o texto e começam a falar que o texto retrata a direita tentando manipular as coisas usando mentiras -> eu não sou de direita, entendo perfeitamente que o socialismo tem de bom e o que tem de ruim, e, mais importante, o texto não tem por objetivo criar capitalistas. Tem por objetivo chamar atenção para que, na verdade, toda a discussão sobre os livros tem uma importância ínfima em relação ao mal que os professores estão causando: e não porque estão ensinando SOCIALISMO, e sim porque estão manipulando ideologicamente toda uma futura nação. Se estivessem ensinando capitalismo, eu publicaria esse mesmo texto, trocando a palavra “socialismo” por “capitalismo” e vice-versa.