quinta-feira, 13 de setembro de 2007

Frases sábias ditas por idiotas.

o cúmulo da prepotência é se auto-diagnosticar portador de complexo de inferioridade.

quarta-feira, 6 de junho de 2007

Liberalização e melhoras sociais

O Brasil, conhecido internacionalmente pela alta desigualdade social, vem conseguindo avanços sociais nessa área, mesmo que através da utilização de meios errados, de ação apenas momentânea.

O Governo, apesar de continuar o processo de privatizações, baseia sua política econômica na intervenção estatal. Em vez de liberar e flexibilizar o mercado, criando oportunidades e empregos, aumentou-se a o papel do Estado, como aconteceu recentemente com o PAC, o que diminui o dinamismo da economia. Um exemplo desse comportamento é o excesso dos ditos “benefícios sociais”, que acomodam aqueles que os recebem.

Além disso, os auxílios sociais levam o Governo Federal a não investir o suficiente nos serviços básicos. Acaba-se que somente os que podem pagar têm serviços de qualidade, privados. A massa, pois, tem acesso a serviços péssimos, o que dista muito da realidade da minoria rica.

Perante a lei, todos são iguais, com exceção de alguns grupos que são favorecidos pelas políticas de cotas, outro chamado benefício social. Em vez de solucionar os problemas sociais através do investimento na educação pública, o Governo usa fórmulas comprovadamente fracassadas e divide a população usando critérios sem embasamento científico.

Países como Índia e China vêm conseguindo tirar muitos da condição de miséria através da liberalização da economia e do incentivo às empresas que empregam mais. O Brasil, no entanto, utiliza medidas econômicas comuns na década de 30: não atrai dinheiro estrangeiro com o objetivo de proteger empresas atrasadas, ao em vez de se preocupar com a condição da maior parte da população.

sábado, 2 de junho de 2007

De rombo!


Como já disse alguém que eu não conheci, "antes tarde do que nunca." Ontem, dia primeiro de junho, este vinil que vos encara completou mais um ano de existência - e que existência! O mais novo quarentão do ramo é, nada mais, nada menos, que o Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band, álbum apoteótico lançado em 1967 pela banda inglesa The Beatles. Durante nove longos meses contados a partir do dia 6 de dezembro de 1966, John, Paul, Ringo e George concentraram todas as atenções na concepção daquele que, 700 horas e 75 mil dólares depois, viria a ser o disco de música pop mais influente, da maior banda - também de música pop - que já existiu. A preponderância do álbum passeia por vários temas, desde a experimentação (o erudito na música comercial) e a música de vanguarda até as relações entra a música oriental e a ocidental, tangenciando seu vestígios na música brasileira. Com o lançamento deste, os métodos de produção musical foram completamente revolucionados e esta subversão aconteceu não só em relação aos meios da época, mas também veio como a antítese de toda uma orbe de trabalhos do fab four, rompendo através do conceito seu próprio paradigma.
Se em nossos dias, um ouvido leigo, muito provavelmente, detestaria boa parte das canções do Sgt. Pepper's, imagine você, então, a reação da crítica nos anos 60. Nada boa, não é mesmo? Aí é que você se engana: mesmo admitindo terem ouvido o álbum repetidas vezes, por completa confusão de pensamentos, os fãs e jornalistas já naquela época aclamavam-no como uma obra prima, livrando-os de uma constante na música produzida antigamente, quando muitas vezes os trabalhos, depois de adormecidos durante anos, eram ressuscitados - já seus criadores, não. Desta mesma forma, existem, ainda, os antônimos: há quem diga que a banda em questão usou de um grande oportunismo, aproveitando-se demais da idéia conceitual, e que o teatrinho sobressai a música em si.

Não tá entendendo nada dessa história de "álbum conceitual"? Ó, é o seguinte: para esse trabalho, o Paul sugeriu aos outros integrantes da banda que eles "encarnassem" uma banda-fantasia, a Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band (ao pé da letra, A Banda do Clube dos Corações Solitários do Sargento Pimenta) e todas as músicas do álbum deveriam seguir uma historinha, umas relacionando-se diretamente com as outras; inclusive, não havia pausa entre as canções. O problema é que os garotinhos se empolgaram e desistiram dessa idéia durante a criação. "O disco ia transcorrer como uma ópera, mas depois dissemos: 'Ah, que se dane!'", declarou Ringo Starr, baterista dos besouros de Liverpool. A partir de Lucy in the sky with diamonds, da autoria de John Lennon, o fio da meada é cortado. Sendo assim, o álbum é quase conceitual; e olhe que muita gente discorda de mim.
Ah, já ia esquecendo! A capa do LP, encomendada a Peter Blake, traz numa grande fotomontagem várias celebridades e figuras perenes da nossa história. Edgar Allan Poe, Oscar Wilde, Marlon Brando, Marilyn Monroe, são alguns exemplos. Adolf Hitler foi censurado e, estranhamente, Gandhi também. Pra tentar descobrir mais conhecidos, é só clicar aqui.
O Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band, indiscutivelmente, foi e ainda é um dos mais aclamados produtos da indústria fonográfica mundial, mas será que tal invento sobreviverá à era dos formatos musicais digitais? A nós, resta apenas parabenizá-lo por mais um ano de sobrevivência e esperar que o tempo dê a resposta. Feliz parabéns, Sgt. Pepper's!

domingo, 20 de maio de 2007

Estupidez

Semana passada, em seu programa, Jô soares comentou sobre como os homens têm medo de mulheres bonitas, inteligentes e engraçadas. Pura verdade.
Pelo menos a maioria dos homens não-maduros não gostam de se relacionar com mulheres poderosas; preferem as submissas, as que fazem com que ele se sinta o fodão da relação, o engraçadão, o detentor de controle.
Muitas vezes me pergunto: "por que diabos esse cara tá com essa menininha insossa, quando podia estar com uma poderosa, de personalidade forte?" Resposta fácil: fraqueza. Desde crianças, a imagem patriarcal começa a ser formada em nossas mentes - ao sentir essa imagem se desfigurando, os homens se intimidam, acovardam-se.
Mulheres encontro-em-toda-esquina não fazem vocês crescerem, rapazes! O ego infla, a alma não. Moças inteligentes os ajudam a crescer como homens, maridos e profissionais; além de serem muito mais propícias ao sexo - fator estupidamente importante na escolha de vocês.
Então, garotos, pensem nisso, reflitam sobre aquela eterna dúvida: uma oxigenada bunduda cabeça de ovo bem comportada ou uma morenona inteligente, bem humorada e desafiadora?
Saiam do confortável.

segunda-feira, 14 de maio de 2007

O Congresso por ele mesmo

Pesquisa realizada recentemente pela Fundação Getúlio Vargas mostra que 205 (73%) dos 280 parlamentares acreditam que as safadezas praticadas no Congresso são influência do sistema de “barganha e negociações” e não um problema causado por fatores pessoais. Coitadinhos dos parlamentares, tão indefesos perante um sistema cruel e capitalista!!

Intitulada "Perfil do Congresso e Percepção sobre as Reformas e Agenda Política", a pesquisa teve como objetivo colher as opiniões dos parlamentares sobre temas como corrupção e reforma política.

Foram entrevistados 244 deputados (47,6% do total da Câmara) e 36 senadores (44,4% do total da Casa) de 18 partidos diferentes e das 27 unidades federativas.

Com relação à reforma política, o financiamento público de campanha foi o único ponto que dividiu a opinião dos parlamentares. Os outros tópicos tiveram um apoio maior dos congressistas: a fidelidade partidária seria aprovada por 79% dos entrevistados, sendo que 73% dos ouvidos pela FGV defendem a perda de mandato do parlamentar que troca de partido.

Talvez estejamos diante não do “espelho Congresso”, mas sim de uma Lente, onde tudo que lá é feito tem origem na sociedade nossa, afinal, nossos congressistas nunca vão se comportar como um parlamento inglês, isso é o Brasil!!

terça-feira, 8 de maio de 2007

A Janela das Flores

O som de strawberry fields forever ecoava do quarto do irmão de Lúcia quando ela, às 11 da manhã, acorda e olha o relógio. Não se lembra da última vez em que havia se levantado tão tarde; tinha sempre tanto tempo pra gastar. Talvez não o tivesse mais, talvez não fosse tão importante, talvez nada mais fizesse sentido e tentar compreender tudo fosse jogar tempo no ralo. Ela então escova os dentes ainda sem conseguir abrir bem os olhos e repara em uma espinha nascendo em seu queixo, talvez fruto do brigadeiro de ontem ou do estresse dos últimos meses. Lúcia, então, dá play em florescent adolescent e corre ao seu guarda-roupa. Pega uma presilha, amarra os cabelos vermelhos, olha novamente o relógio e pensa em como o tempo anda passando devagar esses dias.
Deitada na cama de solteira de tábuas tortas – solteira. torta. Lúcia sente identificação com a cama – ela cantarola seus versos preferidos da música que vem ouvindo há 3 meses: “oh, that boy’s a slag/ the best you ever had ”. Chora. Lembra do motivo de tudo isso. “Será que ele volta?”, pensa. E o motivo ainda se fazia tão presente que sua ausência constante a fazia pensar que, talvez, tudo seria mais fácil se a melhor coisa que já lhe aconteceu não tivesse acontecido.
Lúcia, que não tinha grandes feitos, grandes perspectivas, grandes sabores, sentia-se, finalmente, cheia de algo bom, sempre que o garoto aparecia na janela. Uma janela quadrada, com alguns adesivos e uma cortina verde. Por ser uma garota sem grandes experiências que só tenta preencher seu vazio com livros e música, ela acha estonteante poder-se sentir completa ao passar os dias analisando o vizinho. Tudo puro, tudo entregue, tudo normalmente incomum.
Nunca soube o nome do garoto, embora soubesse tantas outras coisas tão mais essenciais para ela... Sabia, por exemplo, da sua mania de rodar o controle remoto enquanto via tv, de cheirar suas roupas recém-lavadas, de amarrar o cadarço esquerdo antes do direito. Ele costumava ler de madrugada, e para ela era mágico ler simultaneamente em seu quarto, pensando em quantas unhas ele já roeu, quantos cabelos já enrolou e quantas vezes já bateu o pé na cadeira enquanto lia. O menino nunca penteava os cabelos negros, estava sempre descalço e sem camisa, deixando à mostra uma tatuagem florida que deixava Lúcia louca e, por muitas vezes, não a deixava dormir. Tendo acesso somente às características físicas, por ser tímida demais para qualquer aproximação, só lhe restava imaginar a personalidade da razão pela qual havia deixado de desistir de sua vidinha insossa.
Mais lágrimas, mais lembranças, mais repeat.
A partir do all star azul e dos beatles sempre na vitrola – “meu irmão se daria bem com ele”, pensa – imaginou que ele tocasse em uma banda de rock. Pelas chaves que sempre tinha às mãos, que aparentavam ser de uma moto, imaginou-o maior de 18 anos. A partir do sorriso alternado por lágrimas, imaginou-o amante – só os amantes são capazes de sentir tudo ao mesmo tempo.
Lúcia se levanta, lava o rosto, acende um cigarro e tira o disco do arctic monkeys, trocando-o por los hermanos. “Todo carnaval tem seu fim” de repente resume sua dor ao lembrar da partida do garoto da janela, o qual havia cultivado sua atenção, carinho e dedicação. Amor platônico, amor anônimo, amor desigual.
Foi há 3 meses que, de repente, Lúcia sentiu-se sem chão – sem janela. Ao olhar para o apartamento ao lado, conforme seu ritual, surpreendeu-se com os dizeres: “VENDE-SE”. Assustada, calçou suas havaianas e correu em direção ao prédio vizinho, onde encontrou o porteiro.
- Vende-se?
- Como?
- O apartamento da esquerda, do 4º andar...
- Ah, sim! Dona Márcia cansou do ritmo da cidade, resolveu ir pro interior.
- A família dela também vai?
- Todos.
- E... mas... em quanto tempo partirão?
- Ah, moça, eles já foram essa manhã.
“Essa manhã”; aquela manhã, a manhã de 3 meses atrás. A manhã mais noturna que já houve. Eclipse da saudade. Lúcia dá repeat e traga mais uma vez o cigarro. Sente o coração mais fervoroso que a bituca que acaba de jogar no chão. Sua vida voltara à falta de sentido, de preenchimento; voltara ao vazio, à decepção. Pelo menos ela tinha algo com o que se ocupar; talvez o amor fosse fruto de um coração em ócio. E agora? Que fazer todos os dias? Quem será seu par nos sonhos mais românticos? E agora? E agora?
“E agora?”, repete Lúcia. Aumenta o volume, tira o sutiã, tira a calcinha, liga o chuveiro e deixa a água levar a confusão. Põe xampu nas mãos, esfrega a cabeça. De repente, um choro inevitável. Já não sabe se seu coração chora mais que o chuveiro. Seria a solução dar tempo ao tempo, dor à dor, motivo à esperança, otimismo à realidade? Lúcia era nada, virou alguém, virou amor. O amor virou dor, virou vazio, virou lembranças - mas não é disso que se faz a vida? Sai do banheiro, sacode o cabelo e veste qualquer roupa do monte amarrotado na esquina do quarto. Ao olhar para seus discos, vê uma foto do Cazuza e repete para si mesma: “morrer não dói”. O que dói é a falta de direção e o excesso de saudade; morrer não dói. Morrer é libertar-se, e ela quer tanto livrar-se de tudo... Tira o uísque da última gaveta do criado-mudo desgastado. Bebe, bebe, bebe. Finalmente o tempo passa rápido, talvez rápido demais.
Lúcia, então, flerta com a janela. “Garoto, quanta falta que tu fazes!”, fala baixinho. Ela pensa em entregar-se à dor, em direção de seu amor, como parte de um simbolismo perfeito. Deixa a garrafa no chão, põe os dois pés na janela, as duas mãos no teto e fecha os olhos, sentindo uma brisa acalentadora, libertária. Tira os óculos – os suicidas são covardes demais para assistir à própria morte. Lança mais um último olhar em direção à janela do vizinho. Nada pode doer mais que isso. Lúcia se joga. Não grita, não se arrepende, não sente. A morte não dói, a dor amortece. Antes que qualquer um pudesse ver o corpo cheio de lágrimas e sangue no chão, a fechadura da porta do quarto do vizinho gira e ouve-se o diálogo:
- Mas mãe!
- Filho, eu percebi que o interior não é para mim, definitivamente! Tente aceitar, por favor...
- Tsc. Certo.
- Isso, filho. Obrigada.
- Mãe, você conhece uma ruivinha que mora no prédio ao lado? To pensando em passar lá pra bater um papo com ela...